Como vocês estão? Essa semana atrasei um pouco a edição porque me empolguei cozinhando e assando. Ultimamente tenho gostado muito de fazer pão sírio, hoje dei o passo seguinte que é fazer o homus para acompanhar ele. Enfim, mas nada disso vem ao caso, vamos para a edição da semana que, de novo, veio acompanhada por um estudinho em aquarela em vez dos recortes.
Traças
FSP 21/03/22
Quem acompanha o mercado editorial tem visto várias editoras abordarem a questão do preço do papel desde o início da pandemia.Mesmo sendo responsável por apenas uma parte do custo do livro, esse fator faz com que as editoras aumentem os preços, reduzam os pagamentos aos colaboradores, apertem as margens de lucro e/ou desistam de publicar alguns títulos.Sim, o livro é um negócio. Apesar de boa parte do mercado ser movido por empresas pequenas e trabalhadores apaixonados, o livro é um negócio. Se no fim do dia a conta não fecha, a editora quebra.
FSP 21/03/22
Pensando estritamente do lado empresarial, sobra poucas saídas para as editoras além de um estrada que leva para a elitização dos livros.Publicações de sucessos de vendas em formato de livros objetos com projeto gráfico para ninguém por defeito e preços elevados para o editor ter margem de manobra financeira.E, como sempre, o jogo empresarial é brutal.
Trechos do Painel das Letras - FSP 26/03/22
Assim, tanto pelo lado da edição, como pelo lado da venda, a tendência parece ser clara, um foco estreito no que vende bem e que dê bom lucro.Afinal, o livro é um negócio, e essa é a cara do futuro dessa empreitada.
Imagem da capa da FSP de 02/04/22 (o emoji é por minha conta)
Agora, pensem comigo, o livro é um negócio e a maioria das empresas são baseadas no conceito de “escala”, ou seja, você barateia o produto na expectativa de vender mais e lucrar na quantidade. Então, por que no ramo editorial ninguém parece se questionar: o que temos que fazer para vender mais livros?Esse é o ponto em que o liberal na economia se enrola e lança a ideia de que “só rico lê no Brasil”.Essa afirmação pode não ser uma verdade no momento, ou no passado, mas tem tudo para ser certeira para as próximas gerações.Veja o exemplo das Histórias em Quadrinhos, essa modalidade de leitura servia de porta de entrada para a literatura tanto pelo conteúdo, quanto pelo preço e o acesso. Disponíveis em todas as bancas, por valores modestos, os quadrinhos eram um meio de comunicação em massa. Hoje, apesar de ainda estarem entre os itens mais vendidos, as HQs chegam a cada vez menos bancas e a elitização parece um caminho sem volta.
A grande questão nessa conversa toda é que sim, o livro é um negócio, mas, a leitura e cultura não.Quando as editoras são deixadas para resolver todas as questões por si só, a tendência é essa espiral em que se publica cada vez menos para um grupo cada vez menor.Esse ciclo só é quebrado por um investimento massivo e multidisciplinar que envolve a educação e a forma como a arte e a cultura são pensadas no país. Sim, estamos falando de algo que a iniciativa privada pode até auxiliar com suas ONGs e fundações, mas que só para em pé se o governo estiver a frente.Até outro dia o Brasil precisava de um reforço nas políticas públicas culturais, hoje, depois da demolição das poucas bases que existiam, estamos em um estágio muito mais crítico. O país precisa de lideranças que sejam capazes de dar a população o acesso à educação e a cultura e, mais importante que isso, que tenham envergadura moral o suficiente para reestabelecer essa faceta da nossa sociedade como algo importante.Voltamos a um ponto das trevas em que a cultura e arte se tornaram luxos porque deixaram de ser algo intrínseco do que nos faz humanos. É preciso parar de dizer ao povo que educação e arte são caprichos.A mobilidade social e a melhoria da distribuição de renda também passa pelo poder transformador do aprendizado.
Ideias roubadas
Álvaro Costa e Silva - FSP 29/03/22
Pintores