Inflação veio acima do esperado no mês de janeiro, com maior alta de alimentos desde 2016
FEB 09, 2024
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O IPCA subiu 0,42% em janeiro, ficando abaixo do 0,56% de dezembro. No acumulado dos últimos 12 meses, ficou em 4,51%, um pouco abaixo do teto da meta.

Em janeiro, o grupo alimentação e bebidas, que tem maior peso na cesta de consumo das famílias (21,12%), subiu 1,38%. Isso significa um peso de 0,29 p.p. no IPCA do mês. É a maior alta de alimentação e bebidas para o mês desde 2016, quando o grupo alcançou elevação de 2,28%.

Por outro lado, o grupo de transportes, o segundo de maior peso no IPCA (20,93%), registrou deflação de 0,65%. Passagens aéreas caíram 15,22% em janeiro. Também houve queda nos preços dos combustíveis (-0,39%), com os recuos do etanol (-1,55%), do óleo diesel (-1,00%) e da gasolina (-0,31%).

A preocupação do Banco Central com a inflação vem do núcleo, principalmente dos serviços. Esse segmento ainda continua pressionado e tem levado o Banco Central a ser mais cauteloso na redução da Selic. O mesmo problema tem sido visto na economia americana.

Os alimentos sofreram efeitos do El Niño e fortes chuvas em determinadas regiões do país, impactando o IPCA. A previsão de safra para esse ano é menor que em 2023 por conta desses fatores. Por outro lado, a China tem desacelerado sua economia, refletindo em preços internacionais de alimentos mais em conta.

O desafio da meta de inflação desse ano é mais ousado, já que o Conselho Monetário Nacional decidiu por reduzir a meta para 3,0% com intervalo superior de 4,5%. A consequência direta é que o afrouxamento monetário será mais lento ao longo desse ano.
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