Levantamento aponta que, com os embarques terrestres, o México se tornou o maior fornecedor de mercadorias em 2023 para os EUA, substituindo a China, mas há algo importante por trás disso. Entenda melhor.
o México ultrapassou a China em 2023 como maior exportador de mercadorias aos EUA, graças ao crescimento das remessas por caminhão pela fronteira. A política dos EUA de adotar o friendly e near shoring, junto com acordo de livre comércio com o México explicam, em parte, essa mudança.
Ao mesmo tempo, os dados mais recentes da Container Trades Statistics, mostram que o número de contêineres de 20 pés enviados da China ao México somou 881 mil nos três primeiros trimestres de 2023, acima dos 689 mil do mesmo período de 2022.
Esses números mostram a dificuldade do governo Biden em reduzir a dependência dos EUA em relação a cadeias de abastecimento internacionais dominadas por seu rival geopolítico, a China, cuja capacidade industrial lhe deu grande papel no fornecimento de quase tudo, desde bens da linha branca até veículos elétricos.
O problema é que os EUA são os maiores consumidores mundiais de tudo e a China é o maior produtor mundial de tudo e mais um pouco. De um jeito ou de outro, as duas maiores economias do mundo, e suas forças, vão se encontrar, pelo menos no curto prazo.
As medidas dos EUA para reorientar as cadeias de abastecimento e afastá-las da China começaram em 2018, com Donald Trump impondo pesadas tarifas ao comércio exterior com a China. Biden as manteve em vigor, diante da contínua competição comercial e geopolítica entre as duas potências.
Como resultado das tarifas, as remessas diretas da China agora representam menos de 15% das importações americanas. Em 2017, eram mais de 20%. Mas o desvio de comércio vem acontecendo não somente com o México, mas também com Vietnã, Cingapura e Filipinas que apresentam superávits cada vez maiores com os EUA e importações maiores da China.
E o Brasil pode se beneficiar dessa situação? Até o momento isso não tem acontecido pois o Brasil tem muitas barreiras às importações de produtos industrializados, como o mais influenciado no comércio exterior registrado por esses países, o de autopeças e não tem acordos de livre comércio com os EUA.