O valor, em termos nominais, só ficou abaixo do déficit de 2020, ano da pandemia, quando foi de R$ 703,0 bilhões (9,24% do PIB). Governo Central e Estatais foram os responsáveis, ambos voltando a ter resultados negativos.
O principal responsável foi o Governo Central, que teve um déficit de R$ 264,5 bilhões contra um superávit de R$ 54,9 bilhões em 2022, uma diferença de R$ 319,5 bilhões no período. Os Governos Regionais continuaram com superávit, mas com queda de R$ 27,3 bilhões no resultado. As Estatais voltaram a ter prejuízo, passando de um superávit de R$ 6,1 bilhões para um déficit de R$ 2,3 bilhões.
O déficit das contas do setor público representou 2,29% do PIB, segundo maior desde 2016, quando foi de 2,48%, excluindo o ano da pandemia, quando atingiu 9,24%. O resultado negativo ocorreu após 2 anos seguidos de superávit primário, sendo 0,72% do PIB em 2021 e 1,25% em 2022. O resultado representa uma inversão de um superávit de R$ 126 bilhões em 2022 para um déficit de R$ 249,1 bilhões em 2023.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) – que compreende governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 74,3% do PIB (R$ 8,1 trilhões) em 2023. No ano, a relação DBGG/PIB elevou-se 2,7 p.p. Em 2022, havia encerrado em 71,7% do PIB e vem crescendo nos últimos 6 meses.
Por fim, houve uma nítida piora na trajetória de pagamento dos juros da dívida, com 2023 representando o recorde da série histórica, iniciada em 2002, com pagamento de R$ 718,3 bilhões, o que corresponde a 6,61% do PIB. Esse valor é 22,5% superior ao registrado no ano anterior.