Dorothea Erxleben foi a primeira mulher a conquistar um diploma em Medicina na Alemanha. Por 150 anos, nenhuma outra médica surgiria no país. Nascida em 1715, em Quedlinburg, Dorothea Erxleben era filha de um médico progressista que acreditava que “talentos de mulheres brilhantes estavam sendo desperdiçados na cozinha”. O pai a educou da mesma forma que os filhos homens, com tutores em Latim, matemática e ciências. Para que Dorothea pudesse frequentar uma universidade, seu pai precisou conseguir uma autorização especial do rei Frederico II. Em 1741, D.E. foi autorizada a ingressar na Universidade de Halle, provocando tanto admiração quanto críticas. Apesar de não ter embates públicos com seus detratores, em 1742 D. publicou um livro defendendo a educação feminina, apelando para que a Alemanha deixasse de desperdiçar os talentos de metade de sua população. Alem de cursar a universidade, Dorothea era também uma dona de casa que cuidava de quatro filhos. Em 1747, seu pai já estava morto e a saúde de seu marido ficou fragilizada, endividando a família; para contribuir com as despesas da casa, Erxleben passou a exercer a Medicina, sem ainda ter conquistado seu diploma. Seus detratores a processaram por charlatanismo por exercer sem uma licença; o caso foi levado ao Rei Frederico II, que determinou que D.E. apresentasse uma dissertação na Universidade de Halle, e fosse examinada por uma banca. Em 1754, ela se tornou a primeira mulher alemã com um diploma em Medicina, e passou o resto de sua vida exercendo a profissão. Só 150 anos depois outra mulher voltaria a se diplomar nessa função, quando, no começo do Século XX, mulheres passaram a ser admitidas em faculdades de medicina na Alemanha.