O fato de o piedoso rei Ezequias ter gerado um filho perverso é mais um daqueles mistérios da história bíblica. Se Manassés nasceu em 709 a.C., então estava com 7 anos quando o pai foi curado e o milagre da sombra ocorreu. Tinha 11 anos quando os 185 mil soldados assírios foram mortos. Ao que parece, esses milagres não causaram grande impacto em seu coração. Vários estudiosos acreditam que Manassés foi co-regente com o pai durante cerca de dez anos (697- 687 a.C.), dos 12 aos 22 anos, tendo, por tanto, um relacionamento próximo com um pai temente a Deus. O que impressiona, porém, é que Manassés tornou-se o rei mais perverso da história de Judá, tanto que é responsabilizado pela queda do reino do Sul (2 Rs 24:3; Jr 15:1-4).
Ele foi terrivelmente ímpio e, no entanto, teve o reinado mais longo da história de Israel e Judá. Foi como se o Senhor tivesse retirado a mão do reino de Judá e permitido que toda imundície fosse derramada do coração do povo. Em seu caráter e conduta, Manassés foi pior que os amorreus que Josué havia derrotado em Canaã, uma nação conhecida por sua brutalidade e per versidade (2 Rs 21:11; Gn 15:16). Tudo o que Ezequias, seu pai piedoso, havia destruído, Manassés reconstruiu ao conduzir a nação de volta à idolatria, inclusive à adoração a Baal.
O pior rei de Israel (norte e sul juntos) foi o que mais tempo ficou no poder: 55 anos. Deus nada fez para tirá-lo do poder. Política é coisa nossa. É nossa responsabilidade votar (e ser votado). É nossa tarefa eleger governantes e mandá-los para casa, obedecendo às regras constitucionais. Manassés ficou tanto tempo no poder porque o povo não se dispôs a contestá-lo. O povo foi também responsável pelo desastrosa administração de Manassés.